Tablet pode, Dra Pediatra?

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TED<>Pediatra

Foi numa primeira consulta que os questionamentos surgiram, para quem tem filho sabe a quantidade de dúvidas e argumentos que podem se manifestar durante a primeira consulta a um Pediatra. O fato é que nesse turbilhão de questionamentos e argumentações, sendo que minha esposa é que falava, pois numa primeira consulta sempre é melhor ouvir, essa é a minha opinião. Foi quando a afirmação foi direcionada a mim: “Pai, Tablet nunca, não é recomendável!”, não sei se ela percebeu no meu olhar que tratava-se de algo destoado da realidade, que mesmo não pronunciando nada, mas dizendo tudo no olhar, voltou atrás e disse: “No máximo 20 minutos por dia!”

As conversas continuaram com a minha esposa e eu fiquei mais introspectivo que antes, enfim, nesse post quero deixar alguma contribuição sobre o uso tecnológico digital em casa, no dia a dia.

Jean Piaget e a Epistemologia Genética

Foi através da Biologia que Piaget despertou interesse pela teoria do conhecimento, que em suma, segundo o seu processo investigativo buscou compreender como um sujeito passa do conhecimento menor para um nível maior, do atual ao próximo nível. (Livro: Biologia e  Conhecimento)

Acredito que nos seus estudos iniciais ele não tenha indagado sobre as questões tecnológicas, mas um dos seus alunos, traria a tecnologia para o cenário da educação mundial com um programa inovador, que no Brasil foi chamado de LOGO. Seymour Papert era matemático e nessa época estudou com Piaget e foi o pioneiro a propor uma metodologia para uso da ferramenta tecnológica na educação. (Livro: A máquina das crianças)

Estamos falando do final da década de 60, por volta de 1967, nos Estados Unidos, no Brasil o LOGO foi usado nas escolas por volta dos anos 80. Desde então, muitas coisas aconteceram na educação tecnológica e muito mais no mercado de Tecnologia Digital, diversos aparatos foram lançados e atualmente numa linha que prioriza a mobilidade. Se no passado Piaget sugeria que conforme as solicitações do meio as estruturas de conhecimento vão se construindo e Papert que com o LOGO favorecia essas construções, hoje, talvez por excesso de publicações, multiplicidade de linhas de pesquisas, muitas vezes contraditórias e atualidade do objeto de estudo,  tenha-se dificuldade em tratar o tema com a urgência e importância necessária.

Devo questionar o Pediatra?

Como em outras questões científicas e em nome da ciência, que só avança mediante questionamentos, respondo: Sim, devemos questionar os pediatras! Segundo alguns pediatras a restrição de uso tecnológico para crianças, surgiu na era “pré-tablet”, por isso querem repensar o uso. (acesse a matéria e outra que corrobora ), já outros recomendam no máximo 2 horas por dia e nunca para menores de 2 anos, (acesse a matéria).

Piaget e Papert, cada um a sua época, buscaram compreender esse processo que nos possibilita o aprendizado de algo, sugiro que busquemos o mesmo, mas para isso, faz-se necessário o acompanhamento dos nossos filhos, o estar presente que possibilita a monitoria durante o uso tecnológico. Uma prática que tenho feito e tem surtido resultado é tentar replicar o que meu filho está vendo e gostando na WEB para a vida real, é claro que isso só serve para algumas coisas, mas no caso de brinquedos está sendo bem divertido.

Nessa semana aconteceu algo bem interessante, que vou compartilhar com vocês.

Nós não temos pista de Hot Wheels e meu filho gosta de assistir alguns canais no Youtube especialistas nesses carrinhos e acessórios, criam pistas “mirabolantes”, pois bem, ele estava assistindo  eu sugeri criarmos uma pista como a que estávamos vendo, desligamos o Tablet e fizemos juntos a nossa pista, claro que não ficou igual, ficou melhor, porque jogamos os carrinhos e demos muitas risadas. Confira abaixo:

Vídeo

Como a tecnologia faz parte do nosso dia a dia, não acredito que meu filho viveria sem ela, porque nossa família consome tecnologia, como minha mãe consumia programas televisivos, o que tentamos fazer é capacitá-lo para fazer um consumo consciente e sempre direcionamos nas “infinitas teias da WEB”.

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