Contrariando o senso comum, professor você pode usar a TED

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A balbúrdia na tecnologia educacional digital – TED

Nossos professores não foram formados para atuarem com a TED e para piorar recebem dos meios midiáticos a constantemente informação sobre a sua defasagem tecnológica em relação aos seus educandos. Analisaremos  duas afirmações:

Professores não são formados para atuarem com tecnologia!

Segundo dados da Formação de professores no Brasil – “Saberes relacionados as tecnologias no ensino estão praticamente ausentes” e mesmo nas escolas, em 2015, somente 41% dos docentes tiveram algum tipo de formação tecnológica, veja o quadro abaixo: (clique na imagem para acessar os dados no CETIC.br)pcetic

Segundo esses dados, podemos concordar com a afirmação.

E os professores conhecem menos tecnologia do que os seus alunos!

Segundo dados do cetic.br, grande parte dos alunos, 46% tem como atividade principal escrever textos no computador. Clique no quadro abaixo para mais informações.

aluno

Usando apenas esses dados podemos confirmar a afirmação.

Com alguma assertividade nas questões postas, porque o Brasil não consegue avançar nas práticas com TED, sendo que temos abundante informação sobre o assunto?

Não quero reduzir os problemas educacionais brasileiros ao uso tecnológico, mas usar os dados coletados para propor uma nova perspectiva para a questão.

Grande parte dos teóricos educacionais, formadores de opinião, não conseguiram diferenciar as minúcias que existem entre os diferentes níveis de usuários tecnológicos, e em alguns casos, desconhecem essas diferenças, causando com isso uma balbúrdia na educação.

Imaginemos uma situação que pode elucidar o tema.

Uma pessoa que trabalhe com educação, chega em casa e vê o seu filho mexendo no Tablet, no outro dia no Laptop, no outro, no celular e assim, rotineiramente sempre encontra o filho com algo tecnológico, as vezes percebe alguns  comentários com os amigos, sobre Qrcode, RA, Pókemon-Go, Minecraft e fica imaginando a sabedoria desses jovens ao qual o seu filho pertence, a sua geração… e para corroborar com a conclusão que se evidencia, surge um problema no laptop e ele, o filho da geração tecnológica, resolve em segundos. Pronto, meu filho é tecnológico ele é digital!

Soa como propaganda não acha?

Se analisarmos as afirmações fora do seu contexto estaremos contribuindo para o aumento da Balbúrdia, não devemos desconsiderar o uso tecnológico na especialidade do professor, já o aluno deve transitar em todas as áreas. As exigências tecnológicas em sala de aula nem sempre estão relacionadas aos conhecimentos que o jovem traz previamente, por isso, os participantes do processo de ensino e aprendizagem devem considerar as diferentes gradações existentes no usuário tecnológico e identificar o conhecimento necessário para realizar determinada atividade educacional. Na pesquisa em questão, não foi considerado os programas próprios da especialidade do professor e quanto ao aluno, um editor de texto é muito abrangente para qualquer trabalho. O uso da barra equation no Ms. Word, por exemplo, diminuiria o percentual de usuários na pesquisa.

Posto dessa maneira, em muitas situações, o professor pode ter trabalhado sua disciplina de maneira exemplar e até conciliado com uma atividade tecnológica e pode ter errado em julgar que o seu aluno não teria dificuldades no uso do ferramental tecnológico. Compartilho com você uma experiência.

Colaborei com uma professora de matemática no desenvolvimento de uma aula no GeoGebra, alunos do 7º Ano, ela acreditava que em 1 aula conseguiria ensinar o ferramental do programa e aplicar o conhecimento sobre ângulos que ela havia trabalhado em sala. O objetivo era traçar algumas retas e apresentar os ângulos, segundo tipos: agudo, reto e obtuso. Durante o planejamento, sugeri que usássemos mais aulas, pois os alunos não conheciam o programa, além disso, havia o complicador do arquivamento em rede, pois os arquivos deveriam ser acessados posteriormente. A professora, que praticamente só usava o computador para trabalhar as suas aulas de matemática, achava-se menos preparada em relação aos seus alunos e acreditava que eles não teriam dificuldade em manusear aquele programa, pois segundo ela, o programa era muito fácil em comparação aos equipamentos que ela presenciava, em diversas situações, os seus alunos manuseando. No dia da aula a professora percebeu que estava equivocada e usou mais de 3 aulas na preparação dos seus alunos no GeoGebra e Gerenciamento de arquivos, eles nem sequer  eram usuários dessa ferramenta, portanto foi necessário receber as informações básicas, para serem capacitados como tal, bastando para a tarefa. Quantos programas são usados na prática docente nas diferentes escolas de ensino regular?

Nossos alunos possuem o conhecimento necessário para operar qualquer programa junto ao conhecimento disciplinar?

O desconhecimento tecnológico aliado ao novo aprendizado disciplinar, pode estar gerando um complicador ao aprendizado?

Por isso, o professor não deve ser o único responsável pelo trabalho técnico educacional,  ele é mais uma peça no complexo quebra-cabeça do processo de ensino e aprendizagem e em todas relações que se apresentam, já um profissional de TED, pode colabora numa parceria, dividindo as responsabilidades e gratificações e se a sua escola não oferece essa possibilidade, levante a questão junto a sua coordenação. Não há justiça ao carregar o preço pelo fracasso de todos!

 

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