TED – O passado revisto e suas possibilidades: Metodologia

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Esse é o 3º artigo da Trilogia: TED – O passado revisto e suas possibilidades, se chegou aqui sem ler o 1º Artigo  e o 2º Artigo, recomendo a leitura antes do início.

De maneira simplificada, foram abordadas as questões da Tecnologia Educacional Digital (TED), desde os primórdios referenciando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) com a contemporaneidade.

Com esse 3º artigo , que encerra a trilogia, pretendo demonstrar algumas possibilidades metodológicas que poderão servir de orientadores em diversas atividades do Ensino Básico, segundo a BNCC, contudo adotei como referencial uma ideia presente no pensamento dos filósofos: Olavo de Carvalho e Mário Ferreira dos Santos, que em suma, aborda a tecnologia como um fim em si mesma e quando analisada pela Ciência, faz-se necessário um fator comum, a filosofia por exemplo, mas para essa proposta em TED, não faremos análise filosófica.

A tecnologia e a BNCC, diversas possibilidades

Ao analisar a BNCC no 2º Artigo, constata-se que a tecnologia está presente em todas as etapas da Educação Básica, ficando a critério de cada escola os meios para a sua utilização, pensando em possibilidade metodológica, a grande maioria tem na sua abordagem a premissa de que os alunos contemporâneos são nativos digitais, mas como verificamos no 1º Artigo essa afirmação precisa ser complementada com a necessária identificação dos níveis de usabilidade relacionada ao dispositivo tecnológico (Smartphone, Tablet, Arduino, Computador, etc.). Em suma: Para utilização de qualquer ferramental tecnológico digital na educação básica faz-se necessário a identificação dos conhecimentos prévios e a certeza de que a ferramenta não atuará como mais um complicador, considerando o conteúdo disciplinar em questão. A única solução é que a tecnologia precisa ser ensinada! 

Algumas escolas utilizam o conceito de desenvolvimento de habilidades digitais, que comumente são desenvolvidas por professores não especialistas, tendo como referencial algumas editoras consolidadas no mercado pedagógico, oferecendo métodos e materiais didáticos. Outras desenvolvem os trabalhos tecnológicos com profissionais especializados que integram o conteúdo às disciplinas interessadas, seja em projetos ou parcerias pontuais e aquelas que organizam o conteúdo educacional tecnológico em disciplinas de Informática, estruturada no Plano Metodológico da Instituição. Os exemplos apresentados podem ser integrados, apresentando diferentes possibilidades, mas não deixará  de considerar a tecnologia como um conhecimento que precisa ser desenvolvido na sua particularidade, distanciada da área de conhecimento apresentada na BNCC e de forma independente. O “aprender usando”, seguindo o modelo construtivista (construcionista- indico a leitura do Livro: a família em rede – Papert) não tem repercutido bons resultados na escola, muitas vezes por escassez de tempo e/ou ausência de sistematização dos conteúdos tecnológicos.

Trabalhando com Tecnologia Educacional Digital 

O método proposto pelo InfoEducação,  tem como premissa o necessário levantamento dos conhecimentos prévios sobre a tecnologia a ser desenvolvida e integrada ao processo de ensino/aprendizagem disciplinar e como norteador a sistematização desses conhecimentos. Por exemplo:

Nas habilidades comuns do 6º ao 9º ano, em Língua Portuguesa da BNCC, encontramos a seguinte habilidade: (EF69LP01) “Expor, no tempo previsto, resultados de pesquisa ou estudo, em colaboração com o grupo, com apoio de quadros, tabelas ou gráficos e uso de recursos de tecnologias da informação e comunicação, adequando vocabulário, pronúncia, entonação, gestos, pausas e ritmo.

Se o Professor de Língua Portuguesa partir da premissa que o seu aluno, sendo “nativo digital” está capacitado para utilização de qualquer programa tecnológico que possibilite a utilização dos recursos de tabelas, gráficos e quadros, então, provavelmente integrará ao seu planejamento todo o conteúdo da disciplina Língua Portuguesa, sistematizando-o e pensando nas estratégias de ensino, desconsiderando as particularidades dos programas, seja Editor Gráfico, Planilhas, Texto, etc. Na prática, no dia da aula, haverá grande chance do docente se frustar com os resultados, pois já analismos em artigos anteriores (não ensinamos tecnologia contrariando o senso comum …) que a juventude contemporânea, em sua maioria, preferem as redes sociais aos editores de texto, imagem, planilhas, etc. Considerando esses dados a tecnologia não será meio se o usuário não for fluente!

Desenvolvendo a fluência tecnológica

A terminologia Fluência Tecnológica, empregada nesse Blog, tem fundamentação no Media Lab do MIT, que lista algumas habilidades necessárias aos fluentes.

Analisando uma das habilidades listadas, por exemplo: Utilizar programas de aplicação usual (processador de texto, editor de imagem, …), teríamos diferentes possibilidades de conteúdos e se estabelecermos comparativos, essas diferenças se acentuariam, a ferramenta processador de texto, quando pensamos em sistematização de conteúdos, tem pouca relação com a editor de imagem e se considerarmos a habilidade: Utilizar aspectos básicos do sistema operacional, para o uso dessas ferramentas numa rede estruturada, por exemplo, o “Caos” metodológico se instalaria numa “Balbúrdia contemporânea” (saiba mais).

Faremos, de maneira sintética e sistêmica o levantamento dos conteúdos necessários para o desenvolvimento da habilidade exemplificada (EF69LP01), usando o recurso Editor de Texto. No exemplo, o professor de Língua Portuguesa, teria feito uma pesquisa, quantificando o número de livros lidos pelos alunos durante os últimos 12 meses, após o registro no caderno os alunos transporiam para o Editor de Texto, gerando um gráfico de colunas e analisariam os dados com registro dissertativo.

Questões norteadores para levantamento dos conteúdos tecnológicos para a atividade

  • Os alunos irão arquivar o trabalho? Eles conhecem a estrutura da rede (gerenciamento de arquivos)?
  • Os alunos sabem acessar o Editor de Texto, conhecem a ferramenta Gráfico?
  • Os alunos sabem formatar texto (fonte, alinhamento, espaçamento de linhas, etc)?

A proposta tem a tecnologia como meio de desenvolvimento da habilidade (EF69LP01), que pertence a disciplina: Língua Portuguesa, que está estruturada nos diferentes anos, nesse caso, do 6º ao 9º, da Área de Linguagens do Ensino Básico da BNCC. E a tecnologia pertence a qual estrutura dentro da BNCC? Muitos responderão que por se tratar de um meio, ferramental,  não estará nessa estrutura… então analise as questões acima e responda:

Se as respostas são negativas para as questões levantadas, quem ensinará esse conteúdo tecnológico?

Uma forma de facilitar esse processo seria a produção de tutoriais que viabilizariam o aprendizado tecnológico, como no exemplo abaixo, onde foram utilizadas ferramentas de edição, conversão e extração de áudio, edição de slides, hiperlinks e navegabilidade pra a produção do projeto “Paisagem Sonora”, desenvolvido pelas professoras Melina e Malu, no colégio Santa Marcelina – SP.

Com esse facilitador os alunos continuaram o processo de aprendizagem, mesmo fora da escola e não passaram pelo complicador tecnológico dos softwares, aproveitando com plenitude o aprendizado integrado da disciplina curricular Música.

Finalizo essa trilogia com o convite para acesso ao site: http://infoeducacao.com ,  no menu TECHNE , onde apresentaremos essa proposta metodológica integrada às disciplinas curriculares.

 

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